Hoje, sob outro contexto, em que o sistema financeiro nacional já se encontra bastante consolidado e as oportunidades de expansão não orgânicas são limitadas, faz sentido reavaliar o portfólio da Itaúsa e estar mais atento às oportunidades de investimento em outros setores da economia, sem perder o foco na criação sustentável de valor aos nossos acionistas.

Em 2017, nossa capacidade de avaliar o mercado com visão de longo prazo e identificar oportunidades de criação de valor aos acionistas amparou a transformação que começamos a promover em nossa estratégia de negócios. Ingressamos em uma nova fase, de maior diversificação do nosso portfólio de investimentos, ainda que pequena, visando à contínua busca pela criação de valor aos acionistas. Nossa nova visão estratégica resultou de amplo trabalho de renomada consultoria externa, em conjunto com a área proprietária de Novos Negócios, responsável pelas análises de oportunidades de investimentos na Itaúsa.

No âmbito do processo de diversificação dos investimentos, priorizamos setores que apresentam baixa correlação com o mercado bancário e baixos riscos de execução e regulatórios. Visamos companhias estabelecidas, com boa geração de fluxo de caixa, histórico consistente de resultados, rentabilidade similar à apresentada no segmento financeiro, boa perspectiva de criação de valor e, de preferência, que possuam marcas reconhecidas. Já em relação à governança, temos a intenção de participar do bloco de controle e ter influência significativa nas investidas por meio de Acordo de Acionistas e participação nos Conselhos de Administração. Não é nosso objetivo ser controlador único desses novos negócios principalmente por integrarem setores nos quais não temos experiência, mas sim participar de consórcios com sócios que possuam expertise na área e que possam atuar como operadores.

Nesse contexto, perseguimos o propósito de obter, nos novos investimentos, retorno de dois a três pontos percentuais acima do custo de capital ajustado a risco, considerando diferentes cenários de projeções de longo prazo do novo negócio. Também concentraremos esforços para levar as empresas já consolidadas de nosso portfólio a elevar seus patamares de rentabilidade.

Nesse novo cenário estratégico da Itaúsa, além de transferirmos às investidas nossa cultura e nossos valores por meio da governança corporativa, com a criação de comitês e gestão eficiente, precisamos contar com executivos preparados para traçar as diretrizes estratégicas de cada negócio, identificar novas oportunidades e monitorar os investimentos do portfólio. Nesse sentido, também atuamos fortemente no desenvolvimento do capital humano, no reforço de nossos controles internos e na estruturação das áreas. Detemos uma equipe capacitada, atenta às oportunidades e que se relaciona de forma ética com o mercado.

As análises dos novos investimentos, por exemplo, são conduzidas pela área proprietária de Novos Negócios e englobam avaliação do setor a ser investido, da empresa-alvo e dos sócios que farão parte do consórcio, além de análises sobre o retorno do investimento em diferentes cenários de stress. Incluem também o mapeamento dos riscos do negócio, inclusive reputacionais, após profundo processo de due diligence realizado com a contratação de experts e consultores externos em diversas áreas. Os resultados das análises são apresentados e discutidos na Comissão de Investimentos, composta por executivos da Itaúsa. Após a avaliação por esse fórum, o projeto é submetido à aprovação final do Conselho de Administração da Itaúsa.

Essas diretrizes para a nova visão estratégica da Itaúsa motivaram os dois investimentos feitos no exercício: da Nova Transportadora do Sudeste S.A. (NTS), transportadora de gás natural, da qual passamos a participar de cerca de 8% do capital social, e da Alpargatas, de calçados e artigos esportivos, com aproximadamente 27% do capital total. Desembolsamos nessas aquisições cerca de R$ 3 bilhões no ano.

Para fazer frente a esses investimentos, emitimos dívidas que serão amortizadas ao longo dos próximos anos por meio dos dividendos recebidos e de chamadas de capital.

Além desses investimentos, a Itaúsa, em razão das condições de mercado, efetuou recompras de ações de sua emissão ao longo do ano, dado o desconto atrativo pelo qual as ações estavam sendo negociadas e o retorno implícito atrativo do investimento. Recompramos em 2017 aproximadamente 50 milhões de ações ordinárias, o que representou desembolso ao redor de R$ 500 milhões.

As condições para que a ambição de diversificar o portfólio da Itaúsa ocorra de forma sustentável e com foco na criação de valor para os acionistas estão colocadas e são referenciadas pelos resultados de 2017 obtidos pelos atuais investimentos, como o lucro líquido recorrente de R$ 9,1 bilhões, superior em 5,5% na comparação com o ano anterior. Esse desempenho possibilitou distribuir aos acionistas R$ 6,6 bilhões, líquidos de impostos, o que resultou em payout (dividendos e JCP/lucro líquido da Controladora, excluída a reserva legal de 5%), em 2017, de 83%. Nota-se que o total de dividendos/JCP relativo ao exercício de 2017, líquido da chamada de capital (R$ 5,2 bilhões), representa um crescimento de 75% sobre o valor líquido do exercício de 2016 (R$ 3,0 bilhões).

Assim, confiando na capacidade de nossa equipe para capturar novas oportunidades, reafirmamos nossa confiança no futuro do Brasil.

A Itaúsa reavalia continuamente seu portfólio de investimentos e busca oportunidades para ampliar a geração de valor aos acionistas

Itaúsa  

Henri Penchas
Presidente do Conselho de Administração

Alfredo Egydio Setubal
Diretor Presidente e Diretor de Relações com Investidores

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