Projeto Retratos: diagnóstico participativo e fortalecimento comunitário
O projeto Retratos, iniciativa do Instituto Decodifica, será implementado em favelas e periferias de Recife, Rio de Janeiro e São Luís, locais marcados pela escassez de dados oficiais sobre enchentes. Por meio da metodologia de Geração Cidadã de Dados (GCD)—que envolve grupos focais e reuniões cívicas para coletar e sistematizar informações locais—o projeto irá diagnosticar o grau de vulnerabilidade das comunidades a partir do mapeamento georreferenciado de riscos, eventos, perdas e danos. Além disso, formará núcleos comunitários preparados para dialogar com a Defesa Civil e reivindicar políticas públicas fundamentadas em evidências produzidas pelos próprios moradores.
Além de abordar o racismo ambiental e evidenciar os impactos desproporcionais das enchentes sobre populações negras e periféricas, o diferencial do Retratos está em sua preocupação com a replicabilidade: a metodologia será registrada em um guia para que outras organizações e comunidades de todo o Brasil possam implementar a GCD em seus próprios territórios.
“ Enquanto o mundo discute metas e números, as comunidades brasileiras já lidam com a crise no corpo e no território. Dados do estudo "Brasil em Transformação: O Aumento das Chuvas Extremas" (2025) apontam que entre 1991 e 2023, o Brasil registrou mais de 26 mil desastres relacionados à chuva, afetando 92 milhões de pessoas. Mesmo diante dessa realidade, ainda carecemos de indicadores que traduzam, em políticas, o que os territórios já sabem na prática: como se adaptar para viver e resistir. Projetos como o nosso, Retratos das Enchentes, mostram que o conhecimento dos territórios pode ser uma ferramenta de justiça e de solução para a manutenção de vidas”, declarou Mariana de Paula, diretora executiva do Instituto Decodifica.
Capital para a adaptação
O Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas (FGVces) (FGVces) e a consultoria suíça Morphosis lançarão, durante a COP de Belém, o estudo “Investindo em Adaptação às Mudanças Climáticas”, financiado pelo Instituto Itaúsa. A pesquisa mapeia barreiras, oportunidades e necessidades para mobilizar capital privado em soluções de adaptação, tradicionalmente negligenciadas em comparação aos projetos de mitigação.
O estudo traz uma análise inédita sobre o cenário do investimento privado em adaptação climática, com foco no contexto brasileiro, e propõe um framework de políticas públicas para incentivar e atrair recursos privados para a área, além de um roadmap com recomendações práticas para investidores e formuladores de políticas. Oferece ainda ferramentas concretas para direcionamento desses recursos, identificando desafios e oportunidades no Brasil.
“A expectativa é que o trabalho contribua para ampliar o reconhecimento da importância dos investimentos privados em adaptação climática como elementos essenciais para a geração e a proteção de valor econômico, considerando os cenários atuais e projetados de mudanças climáticas”, destaca Annelise Vendramini, coordenadora da pesquisa no FGVces.