
Brasil pós-COP30: dos compromissos à implementação em escala
Brazil Climate Investment Week reúne investidores, empresas, setor público e sociedade civil para acelerar alocação de capital e avanço de negócios de impacto socioambiental
Estudo reúne dados das 27 unidades federativas e traz um diagnóstico integrado para apoiar o fortalecimento da resiliência climática no país

A governança climática subnacional ganhou escala nos últimos anos, mas a vulnerabilidade do país permanece elevada diante de eventos extremos cada vez mais frequentes. Esse é o cenário descrito no Anuário Estadual de Mudanças Climáticas 2026 que, em sua segunda edição, reúne dados das 27 unidades federativas em áreas como agropecuária, energia, indústria, transportes e resíduos, além de informações sobre gestão de riscos, mapeamento de desastres e planos de adaptação. O resultado é um relatório que sistematiza informações em um diagnóstico integrado sobre a resposta brasileira às mudanças do clima, com foco na construção de uma trajetória de resiliência para o Brasil.
Em sua segunda edição, o anuário é realizado pelo Centro Brasil no Clima (CBC) em parceria com o Instituto Clima e Sociedade (iCS), com apoio financeiro do Instituto Itaúsa — que atua em colaboração para fortalecimento de políticas públicas, com base na geração de conhecimento. Para as instituições, oferecer uma base sólida de evidências é essencial para consolidar a agenda climática como política de Estado, pois oferece previsibilidade, atrai investimentos e fortalece a competitividade do Brasil na economia de baixo carbono.
Os 10 principais achados e destaques:
1. Governança: parte dos estados já avança na elaboração de planos climáticos completos, enquanto outros estão em fases iniciais.
2. Desmatamento vs. queimadas: apesar da queda de 32,4% no desmatamento em 2024, o aumento das queimadas reforça a importância da manutenção da integridade dos biomas.
3. Redução estrutural nas emissões: a proteção florestal contribuiu para a queda das emissões líquidas, com o Amazonas se consolidando como o principal sumidouro de carbono do país.
4. Dependência do modal rodoviário: o setor de transportes segue como um dos principais emissores de gases de efeito estufa, com o modal rodoviário respondendo por mais de 90% das emissões na maior parte dos estados.
5. Potencial de recuperação de áreas: o Brasil dispõe de 58 milhões de hectares de pastagens degradadas com alto potencial de conversão sustentável.
6. Indústria de baixo carbono em alta: complexos industriais como Pecém (CE) e Camaçari (BA) são polos de desenvolvimento de hidrogênio verde, enquanto São Paulo concentra cerca de 30% da produção nacional de biocombustíveis, e a região Sul apoia segmentos que já utilizam biomassa como fonte energética.
7. Resíduos e saneamento: as emissões associadas a resíduos sólidos cresceram no período analisado. As diferenças regionais de gestão de lixo e saneamento apontadas pelo estudo indicam onde os investimentos nessas áreas podem ser priorizados.
8. Combustíveis fósseis: o estudo coloca em debate a conciliação entre desenvolvimento econômico e as metas climáticas, no contexto da exploração da Margem Equatorial.
9. Severidade de eventos extremos: em 2024, foram contabilizados 4.699 desastres climáticos, entre estiagens, chuvas intensas e incêndios, com o Rio Grande do Sul concentrando 61% dos óbitos e 38% das perdas financeiras nacionais.
10. Orçamento e política climática: o anuário identifica a vinculação de metas ambientais ao planejamento financeiro dos estados como uma frente emergente da gestão climática subnacional. O estudo destaca mecanismos de financiamento híbrido, REDD+, mercado de carbono, fomento à bioeconomia e parcerias público-privadas como vetores de capital para viabilizar a transição.
IBS Ecológico
O anuário ressalta que, com o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS Ecológico ou “IBS Verde”), que deve começar a operar em 2027 (com entrada em vigor plena prevista para 2033), a expectativa é a duplicação do volume de recursos dedicados a essa agenda, atingindo cerca de R$ 10,4 bilhões anuais. Isso exigirá dos governos locais maior capacitação técnica e sistemas de monitoramento mais rigorosos para garantir a eficácia da gestão ambiental.
Diferente do antigo ICMS Verde, que possuía regras fragmentadas entre os estados, o novo sistema unifica a lógica de repasses para municípios com base em indicadores ambientais.