
Brasil pós-COP30: dos compromissos à implementação em escala
Brazil Climate Investment Week reúne investidores, empresas, setor público e sociedade civil para acelerar alocação de capital e avanço de negócios de impacto socioambiental
Pesquisa do MIT, que mostra que a Embrapa contribuiu para um aumento de 110% na produtividade agrícola brasileira, foi um dos destaques. A conferência contou também com estudos que envolvem Yale, Princeton, Notre Dame, Insper, USP, FGV e PUC-Rio, entre outras instituições.

A 1ª Conferência Anual da Rede de Pesquisa em Produtividade & Sustentabilidade (Rede PP&S), realizada nos dias 2 e 3 de junho no Insper, em São Paulo, reuniu estudos de universidades brasileiras, como FGV, PUC-Rio, USP e o próprio Insper, e de instituições internacionais acadêmicas de referência, como o MIT, Yale, Princeton e Notre Dame, entre outras. O encontro girou em torno de uma agenda comum: entender como a economia pode avançar em produtividade e, simultaneamente, preservar o clima, a natureza e ampliar o impacto social positivo.
A abertura da conferência foi conduzida por Rodrigo Soares, coordenador acadêmico da Rede PP&S, e por Rodolfo Villela, presidente do Conselho do Instituto Itaúsa. A programação combinou pesquisa internacional e evidências sobre o Brasil. Entre os destaques, as keynotes de Benjamin Olken (MIT) e Rohini Pande (Yale), dois dos nomes mais influentes da economia do desenvolvimento. Olken abriu as apresentações com o tema "Mudança climática, desmatamento e a expansão da fronteira agrícola global", presidido por Juliano Assunção (PUC-Rio/CPI-Rio).
A agenda também trouxe um debate sobre conservação florestal, com trabalhos sobre a economia política da conservação e sobre os pagamentos por restauração no programa Reflorestar. Além disso, houve uma sessão de jovens pesquisadores, com estudos sobre choques de calor e mercado de trabalho, regulação ambiental e o Cadastro Ambiental Rural na Amazônia. O fio condutor: tratar produtividade e sustentabilidade como uma agenda única, e não como objetivos em disputa.
O evento foi encerrado com um painel com foco em políticas públicas e os desafios de implementação de soluções. Mediado por Marcelo Furtado, diretor do Instituto Itaúsa, contou com a participação de Giovanna Naspolini (subsecretária de Regulação e Metodologias da Secretaria Extraordinária do Mercado de Carbono, do Ministério da Fazenda), Claudia Shirozaki (FS Sustainability) e Juliano Assunção (Climate Policy Initiative / PUC-Rio).
Para Leila Pereira, professora do departamento de economia da FEA-USP e coordenadora executiva da Rede PP&S, os debates da conferência reforçaram a mensagem central da iniciativa: produtividade e sustentabilidade não devem ser tratadas como agendas separadas. “Nosso papel é produzir conhecimento rigoroso e ampliar o diálogo com formuladores de políticas, setor privado e sociedade civil para que essas evidências contribuam para decisões mais bem informadas e para a construção de um futuro mais produtivo e sustentável”.
Embrapa: modelo de referência global
Um dos destaques veio da pesquisa coordenada por Jacob Moscona (MIT) em coautoria com Ariel Akerman (Inter-American Development Bank), Heitor S. Pellegrina (Universidade de Notre Dame) e Karthik Sastry (Princeton). O estudo analisou dados de cinco décadas de 40 laboratórios da Embrapa e mostrou que a empresa pública contribuiu para um aumento de 110% na produtividade agrícola brasileira, com uma razão benefício-custo de 17 para 1 — taxa superior à observada pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em estudos anteriores.
Moscona apontou que o arranjo brasileiro já inspira países como a China e tem potencial de transferência para nações africanas com condições climáticas semelhantes. Segundo o pesquisador do MIT, o diferencial está no DNA do modelo: investimento público, descentralização e desenvolvimento de tecnologias pensadas para a realidade local.
Em entrevista à Globo Rural, o pesquisador do MIT afirmou: “Há potencial enorme de aprender com a forma como as coisas aconteceram no Brasil. Pode haver retornos grandes em criar uma Embrapa em um lugar ecologicamente diferente do Brasil.”

Sobre a Rede PP&S
A conferência internacional marcou a primeira edição de um formato que a Rede pretende realizar uma vez por ano, com o objetivo de consolidar um espaço permanente de produção e disseminação de conhecimento científico.
As atividades da Rede PP&S, apoiadas pelo Instituto Itaúsa, incluem custos diretos de projetos de pesquisa e de divulgação acadêmica de trabalhos científicos; visitas de pesquisadores baseados no exterior a centros de pesquisa brasileiros; organização de conferências internacionais; e comunicação de resultados de pesquisa para a sociedade civil.
Os temas de pesquisa econômica contemplados incluem tópicos que exploram a interação entre produtividade e sustentabilidade e seus impactos sobre as pessoas, o meio ambiente e a economia:
• Uso e governança de recursos naturais;
• Sustentabilidade agrícola, uso do solo e produtividade;
• Transição energética;
• Regulação e instrumentos econômicos para a preservação ambiental;
• Sustentabilidade urbana e produtividade nos territórios;
• Infraestrutura, meio ambiente e preservação ambiental;
• Economia política da preservação ambiental;
• Sustentabilidade, mercado de trabalho e produtividade;
• Sustentabilidade, saúde e produtividade;
• Sustentabilidade e desigualdade;
• Economia, sustentabilidade e produtividade na Amazônia Brasileira;
• Finanças climáticas;
• Impacto de mudanças climáticas sobre o desenvolvimento econômico; e
• Mecanismos de adaptação e mitigação frente às mudanças climáticas.