Plataforma “Brasil em um Mundo +2°C” ganha destaque na imprensa
Lançada na COP30, plataforma “Brasil em um Mundo +2°C” ganha destaque na imprensa

Ao eleger o binômio produtividade & sustentabilidade como eixo estratégico de sua atuação, o Instituto Itaúsa parte do reconhecimento de que o Brasil vive um duplo desafio. De um lado, o agravamento da crise climática e da perda de biodiversidade impõe a urgência de reduzir emissões, desenvolver soluções de mitigação e adaptação e proteger populações mais vulneráveis. De outro, o país enfrenta um desafio estrutural de baixa produtividade, com crescimento econômico historicamente sustentado mais pela expansão demográfica e por políticas redistributivas do que por ganhos consistentes de eficiência. Integrar essas duas agendas não é apenas desejável — é condição para que o Brasil transforme sua vantagem ambiental em vantagem competitiva, combinando geração de emprego e renda com uma economia mais produtiva e positiva para o clima, a natureza e as pessoas.
Nesse contexto, investir em pesquisa acadêmica de longo prazo torna-se parte essencial da estratégia. A transição para um novo paradigma de desenvolvimento exige dados, evidências e formulações teóricas capazes de orientar decisões públicas e privadas, além de qualificar o debate sobre infraestrutura, mobilidade, indústria, sistemas alimentares e uso do solo. Ao apoiar a produção de conhecimento nas ciências naturais e sociais, o Instituto Itaúsa busca fortalecer as bases técnicas dessa agenda, contribuindo para uma melhor alocação de recursos humanos e financeiros e para a construção de soluções escaláveis.
É a partir dessa premissa que o Instituto Itaúsa apoiou a criação de uma rede de pesquisa que reúne hoje cerca de 13 economistas acadêmicos de cinco instituições de referência: Insper, USP, PUC-Rio, FGV Rio, FGV São Paulo. Rodrigo Soares, professor do Insper e autoridade em economia do desenvolvimento, lidera essa coordenação.
A rede funciona como um núcleo de produção de evidências econômicas sobre temas como clima, energia, uso do solo, saúde, urbanização e mercado de trabalho. “Há muita discussão sobre sustentabilidade no país, mas ainda falta densidade de pesquisa econômica sobre os custos, benefícios e oportunidades ligados a essa agenda”, afirma Rodrigo Soares.
Soares sintetiza o objetivo analítico da rede: identificar onde há de fato dilemas entre produção e sustentabilidade, e onde o país trata como conflito o que poderia ser solução conjunta: “O que estamos tentando construir é massa crítica: um grupo de pesquisadores capaz de produzir, de forma continuada, evidência sólida sobre onde existem trade-offs reais entre crescimento e meio ambiente, e onde o Brasil está perdendo chances de ganhar dos dois lados”, explica.
Conexão com pesquisadores estrangeiros
Um pilar relevante da rede é aumentar a densidade intelectual da pesquisa em produtividade e sustentabilidade no Brasil, aproximando os centros locais da fronteira internacional. Em 2026, a rede receberá uma série de pesquisadores estrangeiros que passarão cerca de uma semana no país, visitando instituições associadas, participando de seminários e discutindo projetos conjuntos.
Além disso,em junho deve ocorrer a primeira conferência internacional da rede, com participação de nomes de destaque em economia ambiental e de desenvolvimento, incluindo professores de universidades como Yale e MIT. O evento combinará sessões sobre políticas públicas brasileiras com apresentação de trabalhos acadêmicos. A intenção é que a conferência se torne anual, consolidando um fórum estável de discussão sobre produtividade e sustentabilidade a partir da produção brasileira.
Chamadas abertas e expansão geográfica
Embora a primeira leva de integrantes esteja concentrada em grandes centros acadêmicos do eixo Rio–São Paulo, a rede foi concebida para expandir seu raio de atuação. Um dos instrumentos para isso são as chamadas abertas para projetos de pesquisa, previstas para serem lançadas ainda no primeiro semestre. Em cada chamada, um tema será definido pela coordenação da rede. Pesquisadores de qualquer instituição brasileira poderão submeter propostas, associadas ou não à rede. A expectativa é que o mecanismo ajude a atrair pesquisadores de fora dos polos tradicionais e a fortalecer grupos emergentes pelo país.