Plataforma “Brasil em um Mundo +2°C” ganha destaque na imprensa
Lançada na COP30, plataforma “Brasil em um Mundo +2°C” ganha destaque na imprensa
Dois relatórios apoiados pelo Instituto Itaúsa colocam a adaptação climática como eixo essencial na agenda de desenvolvimento econômico e justiça social.

Em 2024, os efeitos físicos das mudanças climáticas, como incêndios florestais, tempestades, inundações e secas, causaram perdas econômicas globais superiores a US$ 300 bilhões. Isso é o que aponta o relatório “O surgimento da economia de adaptação: Investindo em Adaptação e Resiliência em um mundo com temperatura média acima de 1,5°C”, elaborado pela Morphosis Solutions SA em parceria com o Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas (FGVces), o Instituto Itaúsa, o Paulson Institute e a Basilinna.
A adaptação é apresentada no relatório como uma dimensão estruturante da economia do século XXI. Ao reduzir vulnerabilidades físicas e financeiras, ela se torna condição para proteger cadeias produtivas, infraestrutura e investimentos. Para o Instituto Itaúsa, trata-se de uma agenda estratégica dentro do esforço de acelerar a transição da economia brasileira para um modelo mais produtivo e positivo para o clima, a natureza e as pessoas.
O estudo alerta que, com a ausência de medidas de adaptação ambiciosas, essas perdas podem variar de 20% a 50% do PIB global até a metade do século. Os autores enfatizam que essa situação vai além de números: indica uma competição crescente por recursos essenciais como água e alimentos, a exclusão de países mais vulneráveis do acesso a capital em condições favoráveis, e a deterioração da governança e solidariedade internacionais, resultando em uma economia global que pode ser menor, mais frágil e desigual.
O que é a Economia da Adaptação
Na COP30, realizada em Belém, a adaptação climática deixou de ser um apêndice da agenda de mitigação e passou a ocupar o lugar de pilar estratégico da ação climática global. As negociações enfatizaram que, em um mundo que provavelmente ultrapassará 1,5°C de aquecimento médio, não basta reduzir emissões: é preciso construir uma economia da adaptação, capaz de gerar prosperidade inclusiva em meio a eventos extremos cada vez mais frequentes.
A economia da adaptação pode ser definida como o conjunto de atividades, políticas e instituições que fornecem bens, serviços e sistemas capazes de garantir prosperidade inclusiva em um cenário de eventos extremos mais frequentes e intensos. Isso inclui desde soluções tecnológicas, como infraestrutura resiliente, seguros, sistemas de alerta e agricultura adaptada, até marcos regulatórios, instrumentos financeiros e políticas sociais que tornem essas soluções acessíveis.
O estudo “O Surgimento da Economia de Adaptação” propõe um framework de políticas públicas para orientar governos na construção dessa economia da adaptação. Em vez de focar em medidas isoladas, o documento organiza a agenda em sete grandes campos: resiliência econômica, expectativas de risco e mudança comportamental, capacidade do mercado financeiro, empreendedorismo, inovação e difusão tecnológica, qualidade e robustez da infraestrutura, eficiência e integridade da governança e coesão social.
Retrato das Enchentes
Outro estudo apoiado pelo Instituto Itaúsa, o projeto Retratos das Enchentes, joga luz sobre como os eventos climáticos extremos afetam, na prática, a vida de quem vive nas periferias urbanas. A pesquisa é conduzida pelo o Instituto Decodifica e nasce da necessidade de produzir dados sobre os impactos de enchentes em favelas, ampliar a visibilidade e potencializar estratégias locais de enfrentamento da crise climática. Além disso, reivindica políticas públicas participativas e baseadas em evidências, capazes de transformar territórios marginalizados em comunidades resilientes.
O estudo, de caráter preliminar, combina grupos focais, oficinas territoriais e 718 entrevistas domiciliares em quatro comunidades: Acari e Kennedy (RJ) e Passarinho e Dois Carneiros (PE), alcançando 2.177 pessoas. Os dados revelam um cenário de alta vulnerabilidade socioeconômica: quase 70% dos entrevistados vivem com até dois salários mínimos, e um terço sobrevive com até um salário mínimo mensal. Nas enchentes, 64,1% relataram já ter tido a casa invadida pela água e, em 53,3% dos casos, o nível ultrapassou um metro dentro das residências.
As conclusões apontam que as enchentes são um problema estrutural nas periferias brasileiras, agravado pela baixa renda, falta de saneamento e oferta insuficiente de serviços públicos. Cerca de 40% dos moradores afirmaram ter realizado adaptações por conta própria, como elevar o térreo, ampliar escadas ou construir novos pavimentos, mas o apoio institucional ainda é limitado e desigual: em alguns territórios, a maior parte do auxílio chega apenas em situações emergenciais e é considerado insuficiente pela maioria.
Saiba mais sobre a visão do Instituto Itaúsa sobre a Adaptação Climática como um investimento estratégico e estruturante para o desenvolvimento do Brasil no Relatório de Atividades 2025.