Nos últimos anos, a agenda climática global foi marcada pela construção de compromissos, metas e ambições. Esse esforço continua necessário, mas precisa ser acompanhado pela implementação de soluções com resultados concretos na economia real.
O Brasil não sofre de falta de soluções. Temos conhecimento científico, capacidade empresarial, recursos naturais, empreendedorismo e uma matriz energética que nos oferece vantagens importantes. Para aproveitar esse potencial, precisamos compreender o que impede soluções já conhecidas de alcançar escala e criar condições para superar essas barreiras.
Os temas desta edição ajudam a avançar nessa discussão. O lançamento do Mapa de Financiamento para Climatechs no Brasil aborda o acesso a capital, um dos principais gargalos da inovação climática, enquanto a Plataforma NetZero Brasil amplia a base de conhecimento necessária para orientar políticas públicas, estratégias empresariais e decisões de investimento. A aliança entre a C.A.S.E., o CEBDS e a SB COP reforça esse esforço ao aproximar soluções climáticas de fontes de financiamento e fortalecer a articulação institucional necessária à sua implementação em escala.
Uma das reflexões centrais da Conferência Brasileira de Clima e Carbono foi justamente a necessidade de pensar a redução e a remoção de carbono a partir de uma pergunta mais ampla: que economia queremos construir para as próximas décadas?
Em um país como o Brasil, a natureza constitui infraestrutura econômica, fator de produção e vantagem competitiva. Solos, água, biodiversidade e estabilidade climática estão entre os ativos que sustentam nossa prosperidade de longo prazo e precisam ser considerados nas decisões de desenvolvimento.
Ao mesmo tempo, a transição só será bem-sucedida se também for positiva para as pessoas. Desenvolvimento econômico, inclusão social, clima e natureza são dimensões de um mesmo desafio, e essa compreensão orienta o trabalho do Instituto Itaúsa e a agenda de Produtividade & Sustentabilidade que buscamos fortalecer.
A publicação desta newsletter coincide com mais um momento importante da vida democrática brasileira. Independentemente de governos, ciclos eleitorais ou conjunturas, produtividade, inovação, adaptação climática, competitividade e desenvolvimento territorial são temas de interesse permanente do Estado brasileiro, que exigem continuidade, cooperação e visão de longo prazo.
Se os últimos anos foram dedicados à construção da ambição, os próximos serão definidos pela capacidade de execução. O Brasil já demonstrou inúmeras vezes que sabe criar soluções. O desafio agora é fazê-las ganhar escala.
Marcelo Furtado
Diretor Executivo do Instituto Itaúsa e Head de Sustentabilidade da Itaúsa