Produzir e disseminar evidências capazes de antecipar riscos, identificar oportunidades de investimento e qualificar decisões públicas e privadas é uma das estratégias que orientam a atuação do Instituto Itaúsa. Em entrevista ao Valor Econômico, Marcelo Furtado, diretor executivo do Instituto e head de Sustentabilidade da Itaúsa, explicou como essa “inteligência de sustentabilidade” conecta a agenda de clima e natureza à produtividade e à geração de valor no longo prazo.
A conversa ocorreu durante o 1º Fórum Produtividade & Sustentabilidade, promovido pelo Instituto nos dias 3 e 4 de agosto, na São Paulo Climate Week. O encontro reuniu poder público, setor produtivo, sistema financeiro, academia e sociedade civil para discutir como as vantagens brasileiras em capital natural e capacidade produtiva podem se traduzir em competitividade. Os debates identificaram prioridades em governança, formação de capital humano, difusão de tecnologias e financiamento, com propostas para os próximos 24 meses em uso do solo e sistemas alimentares, energia e materiais, e sistemas urbanos.
Na entrevista, Furtado destacou que os efeitos das mudanças climáticas se estendem à infraestrutura, às cadeias produtivas e à saúde das pessoas. Uma empresa pode sofrer interrupções mesmo quando suas instalações não são diretamente atingidas por uma inundação, por exemplo, se o evento comprometer a rede de energia da qual depende. Conhecer essas relações permite planejar medidas de prevenção e adaptação com maior antecedência.
Os estudos e as ferramentas apoiados pelo Instituto tornam esse conhecimento disponível para diferentes públicos. A seguir, seis iniciativas que ajudam a compreender a estratégia apresentada suas aplicações.
Economia da adaptação
O estudo “O surgimento da economia de adaptação”, produzido por Morphosis, FGV EAESP, The Paulson Institute e Basilinna, com apoio do Instituto Itaúsa, analisa como políticas públicas podem estimular mercados de soluções de adaptação com retorno financeiro. O objetivo é atrair capital privado e criar condições para que essas soluções alcancem escala e sejam acessíveis.
A abordagem considera a adaptação como parte do desenvolvimento econômico, envolvendo atividades como infraestrutura resiliente, sistemas de alerta, seguros e agricultura adaptada. Ao examinar as condições de oferta e demanda, o trabalho identifica caminhos para ampliar investimentos, inovação e capacidade de resposta aos riscos climáticos.