Como empresas e organizações filantrópicas podem contribuir para a defesa dos direitos humanos para além de suas próprias operações? A pergunta orientou o painel "Empresas e direitos humanos: como garantir a eficiência do financiamento às organizações da sociedade civil?", realizado em 10 de setembro na Conferência de Direitos Humanos do Fundo Brasil, que celebrou os 20 anos de atuação da organização.
O encontro reuniu lideranças do ativismo e da sociedade civil, além de representantes da academia e dos setores público e privado. No painel, Natalia Cerri, gerente do Instituto Itaúsa, debateu o tema com Tamara Monzani (BNP Paribas Cardif), Flavia Scabin (Centro de Direitos Humanos e Empresas da FGV), Cássio França (GIFE) e Cristina Orpheo (Fundo Casa), com mediação de Gabriela Caseff (Folha de S.Paulo).
Em sua fala, Natalia destacou que a agenda de direitos humanos nas empresas não tem ponto de chegada, porque a própria sociedade amplia continuamente o entendimento do que são direitos e de quem são seus sujeitos. Ela também abordou como a clareza de propósitos entre financiadores e organizações é o que sustenta parcerias consistentes, com respeito à autonomia e à agenda de cada parte.
"O Instituto Itaúsa mantém parcerias com diferentes organizações de defesa de direitos humanos. Uma delas é com o Fundo Brasil, no Raízes, fundo de justiça climática voltado a povos indígenas e comunidades tradicionais. Partimos de uma tese econômica: uma economia resiliente para o Brasil passa por arranjos de sociobioeconomia. O Fundo Brasil parte da defesa de direitos e da autonomia dos territórios. São olhares complementares, e a clareza sobre os propósitos de cada um é o que nos permite identificar onde convergimos. Nessa parceria, contamos com a capacidade do Fundo Brasil de fazer o recurso chegar com capilaridade e inteligência territorial."